quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Comecei meu Ensino Médio babando, me achando o máximo e essas besteiras de calouro. Meu ano era cheio de propostas, eu cheia de motivação, muita dedicação pra dar nos estudos, coisa e tal. A verdade é que eu achava que o Ensino Médio era uma porta entreaberta pra o mundo, e que bastava um empurrãozinho pra ver o que tem lá fora, e olhem só, EU NÃO ESTAVA ERRADA. 
Chega o meu primeiro dia no 1º ano, doida pra conhecer os novatos, me sentir gente de verdade; porque assim... a minha moral tava lá em cima (ou pelo menos, eu achava que tava). Ridícula e pateta, eu olhava pra os feras (do terceiro ano), imaginei a alegria que tinham em acabar o colégio esse ano, ficar doido, fazer o Apocalipse pelos pátios, pelas quadras daquele colégio, pular na piscina; nos recreios, carregar todo mundo pra algum lugar e chamar atenção. Era um mundo de gigantes, de gente (quaaaaaaaaase) grande. E logo no meu primeiro dia eu tinha uma novidade: HORÁRIO INTEGRAL (o dia todo no colégio, totalizando, onze aulas), e assim, era a boa pra mim, porque aí que eu me senti de verdade.
O problema, é que depois de uma semana, o Ensino Médio foi perdendo a cor e o encanto, tudo pra mim era chato, cansativo. Dava sono, preguiça, fome, cansaço, abuso, falta de tempo, dor de barriga, angústia, raiva, medo. Aula de segunda-feira pra mim era um c*, porque eu começava o dia com a pior aula da semana, com a pior matéria de todas e com o professor mais irritante de todos. Em dias de horário integral, o almoço me dava sono, o sono me dava preguiça, mas eu não podia faltar à primeira aula da tarde, porque nessa matéria era uma na primeira e outra na terceira aula.
Semana de prova, acho que era a pior. Eram tipo, milhões de provas num dia só. Isso você estudava que nem uma louca; acordava mais cedo , tipo 5:00 da manhã; e dormia mais tarde, tipo 00:30. E o mais frustrante é que geralmente tinha uma nota baixa no meu boletim, daí eu não sabia se era pra chorar. 
Veio o babado do projeto científico, pra ganhar nota na 4ª Unidade e ver se era classificado pra segunda fase. Eu lembro que eu virei a noite fazendo esse projeto, louca da vida por um dez; e vou te contar: chorei um bocado. Caramba, eu não aguentava mais! Eu queria logo minhas férias de julho, que pra ser sincera, quando chegaram e eu viajei pra o exterior, esqueci de todos os problemas que eu tinha na cidade onde vivo E NUNCA MAIS QUIS VOLTAR! Infelizmente, eu voltei.
Angustiada, eu voltei às aulas acho que com raiva e tristeza ao mesmo tempo. Eu até tentei melhorar em relação ao primeiro semestre, mas nem rolou. E eu ainda tive a alegria (ou não) de ser classificada pra segunda fase do projeto, o que me fez gastar tempo, (MUITO) dinheiro e aulas. Ah, e paciência! E pra ser honesta, o segundo semestre conseguiu ser pior que o primeiro: minhas notas não eram tão boas quanto antes, eu não conseguia estudar mais todos os dias, sempre eu tinha sono. Não via a hora pra que chegassem as férias! E o pior de tudo é que eu nem sabia mais se eu ia ter férias, porque a situação não estava a meu favor.
"Mas que diabos eu faço?" eu vivia me perguntando. Eu nem tentava ter fé que eu podia superar isso, mas a cada tarde de estudo eu estragava tudo e morria de preguiça. Não me pergunte op que eu fazia a tarde toda, porque EU NÃO FAZIA NADA. Eu até quis mais responsabilidade, mas a força do hábito era maior. Eu até tentei estudar exatas tentando não desistir de nenhuma questão, ou não ter preguiça, mas eu não tinha dotes cognitivos pra isso. MOR-RE! Ensino Médio pra mim é uma bosta, tava cansada, eu tinha me cansado, CANSEI. E sério, eu quase desisti. Quase. Porque eu sei quanto pesa o querer de alguém, eu sei quanto pesa a determinação. Quanto vale um desejo, uma motivação, uma esperança; é só o próprio que sabe quanto vale. Eu sei de mim, eu sei até onde posso. Mas acontece que eu ainda não desisti de mim. Eu não quero fazer uma crueldade comigo mesma, desistindo do que eu quero, assim, tão facilmente, de mão beijada, de bandeja. Tem que correr atrás do prejuízo, e ter sua fé crescendo todos os dias, construindo aos poucos o seu projeto e ver que fim vai levar. E esse fim com certeza, vai ser bom.