segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Sapos entalados

Eu nunca revidei nada. As pessoas jogavam sapos e eu continuava engolindo. Por isso que eu sempre tive um nó na garganta meio estranho... Eram tantos os sapos, pererecas, girinos, rãs que se podia formar uma família moradora da minha garganta! Isso sempre se repetia, às vezes pelas mesmas pessoas, às vezes por pessoas diferentes. Tinha momentos que eu tinha vontade de chorar, momentos que eu tinha vontade de ironizar, fazer piada das palavras alheias ou quebrar absolutamente tudo que eu visse na minha frente e seria capaz de acabar com o pescoço, a coluna, as pernas, os braços, o crânio... enfim! Tudo da pessoa provocadora. Eu sempre fui impaciente, mas nunca tinha coragem de devolver o sapo. Os meus sapinhos sempre foram muito potentes, por isso, a família crescia constantemente. Mas houve um dia, que eu não suportei fazer da minha garganta um lar para sapos e girinos e resolvi cuspir todos eles! Ninguém sabe o alívio que me deu. Hoje, geralmente nenhum anfíbio se instala na minha faringe, que lá não é lugar pra hospedar nenhum deles! Mas de vez em quando, cai bem um sapinho descer redondo...

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